AGO/SET/OUT
de 2007
NÚMERO 54
ANO 5

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MARKETING
 
Luiz Cláudio Zenone

Coordenador do Curso de MBA em Marketing e
Chefe do Departamento de Administração da PUC/SP

A excelência do
prestador de serviços

Quem lida com o cliente têm grande responsabilidade
e deve ser valorizado à altura

A excelência do prestador de serviços está ligada, não só ao seu conhecimento e habilidade na prática profissional, mas também no seu entendimento sobre o mercado de atuação e na capacidade de transformar esses conhecimentos em ações organizacionais satisfatórias, tanto para a empresa quanto para o mercado-alvo.
Isso significa dizer que mais do que um simples executor de tarefas, o prestador de serviços deve ser um empreendedor, um gestor, capaz de planejar, estrategicamente, os esforços mercadológicos da empresa ou entidade.

O setor de serviços na área da saúde cresceu rapidamente nas últimas décadas e hoje é bastante expressivo na economia brasileira. Paralelamente, a esse crescimento surge a preocupação das empresas que compõem esse segmento com a melhoria na qualidade do atendimento e na busca da excelência na prestação de serviços, pois o nível de exigência dos clientes/pacientes e a concorrência no mercado crescem juntamente com a importância do setor.

Em relação à qualidade e excelência em serviços na área da saúde, não só o uso de ferramentas de qualidade e estatísticas é importante. Nesse tipo de serviços, além de se trabalhar com as pessoas da organização (colaboradores internos) deve-se ter, fundamentalmente, a participação dos parceiros e também do paciente envolvidos no processo. A prática de Administração moderna exige foco no cliente. Porém, os colaboradores, considerados como um “cliente interno”, também merece atenção. Por isso, mais do que nunca, a empresa deve investir cada vez mais em temas relativos a treinamento, remuneração, operações e qualidade na prestação de serviços.

Qualidade em serviços de saúde, portanto, está diretamente ligada à qualidade em gestão de pessoas. Percebe-se que as empresas de serviços no Brasil, de um modo geral, ainda apresentam, em sua maioria, índices modestos de satisfação de clientes em relação ao serviço que prestam e os índices de reclamação são ainda muito grandes.

As pessoas que lidam diretamente com o cliente têm grande responsabilidade, pois elas representam a personificação da empresa e são responsáveis pela imagem dela junto ao cliente. Conseqüentemente, elas deveriam ser valorizadas à altura da responsabilidade que têm em mãos e apresentarem alto grau de satisfação com o trabalho que realizam. Na prática, isso nem sempre acontece. Não é raro encontrar profissionais mal treinados, sem conhecimento do negócio e do cliente, mal remunerados, inadequados à função e insatisfeitos por algum motivo. Essas pessoas apresentarão pouco ou nenhum comprometimento com a empresa e com o cliente, serão resistentes a mudanças e, muitas vezes, pouco participativas.

A mudança começa por uma nova atitude. É ter em mente que não há clientes duradouramente satisfeitos se não há funcionários satisfeitos. A primeira mudança é saber selecionar os profissionais adequados à função que estarão desempenhando. Nem todos, por características pessoais, serão bem sucedidos atuando no atendimento a clientes.

Além disso, a empresa precisa, dentro de suas possibilidades, investir em treinamento para que o profissional possa estar constantemente melhorando sua eficiência. Sabemos que na gestão moderna atender somente com educação e cortesia não basta. Todos devem conhecer o serviço ou produto que estão vendendo. Isso transmite segurança ao cliente e evita que o serviço perca consistência, ou seja, padrão.

Outro ponto que merece destaque na busca da excelência na prestação de serviços na área da saúde: unir a capacidade dos colaboradores em prestar serviço adequado às exigências do mercado, com a capacidade da empresa em orientar seus processos organizacionais para atender o cliente com qualidade. Simplificando: não adianta ter boa equipe se os processos são lentos e atrapalham a empresa em termos de velocidade, flexibilidade, custo e qualidade, que são instrumentos de vantagem competitiva. Os profissionais têm maior oportunidade de colocar seu talento em prática quando os processos internos são eficientes.

Contato: zenone@uol.com.br.                                                

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