NOV/DEZ/JAN
de 2008
NÚMERO 55
ANO 5

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Soldemar Tonello
Administrador Hospitalar e Diretor Financeiro da Pró-Saúde

 

Eduardo Martinho
Professor de Administração Hospitalar e Sáude Publica

 

Administração

Hospital: a organização
humana mais complexa


Os hospitais têm resolvido a questão da especialização
por meio da terceirização parcial

Os trabalhadores do conhecimento não são homogêneos: sua característica principal é a especialização. O melhor exemplo se encontra em um hospital - a organização humana mais complexa. Um hospital comunitário com cerca de 300 leitos emprega diversas categorias profissionais ligadas a saúde.
Três grupos são particularmente grandes: enfermeiros, médicos e especialistas em administração hospitalar. Há diversas especialidades paramédicas, dentre as quais os terapeutas ocupacionais, os técnicos de laboratório, oncologia, radiologia e os assistentes sociais, entre outros.

Estes especialistas têm suas próprias normas e procedimentos, exigências em termos de formação e processos de certificação. Mesmo com tantos envolvidos, para cada área específica de um hospital, e cada um espera e requer tratamento especial. Além disso, o hospital não oferece oportunidades de ascensão profissional para os especialistas. Praticamente nenhum deles quer se tornar administrador do estabelecimento com poucas chances de chegar ao cargo.

O hospital tem resolvido a questão da especialização por meio da terceirização parcial. Em muitos hospitais, cada especialidade do conhecimento é gerenciada por uma empresa terceirizada diferente.
Cada vez mais sempre que possível, o hospital recorrerá à terceirização. Para que uma empresa seja produtiva será preciso terceirizar as atividades não centrais (meio). Acredite, a tendência em direção a terceirização tem pouco a ver com economia e muito a ver com qualidade.

Mas em organizações nos quais a maior parte do trabalho do conhecimento e da prestação de serviços ocorre de forma fragmentada é uma norma cada vez mais comum a necessidade de concentração. O pior caso talvez seja o dos enfermeiros nos hospitais. É comum ter notícias de escassez de enfermeiros. Como isso é possível? O número de graduados que entram na profissão aumentou continuamente por vários anos, enquanto o número de pacientes diminuiu de modo substancial.

A explicação do paradoxo: hoje os enfermeiros passam apenas metade do tempo praticando o que estudaram: enfermagem. A outra metade é consumida por atividades que não requerem qualificações e conhecimento, tampouco agregam valor econômico ou qualitativo, e que muito menos têm a ver com o bem-estar do paciente. Os enfermeiros estão preocupados, é claro, com a avalanche de papelada para os convênios de assistência médica, para o faturamento. Isso não é enriquecimento, mas um empobrecimento da função, que destrói a produtividade, solapa a motivação e o moral. Os enfermeiros reclamam da falta de tempo para os pacientes. Como é compreensível, consideram-se mal remunerados por suas qualificações, enquanto a administração dos hospitais como também é evidente, acredita que eles são bem remunerados pelo trabalho burocrático que acabam fazendo.

Em geral, a cura desse mal é bastante facial. No caso dos enfermeiros, a saída é concentrar-se na tarefa principal, ou seja, o cuidado dos pacientes. Esse é o segundo passo rumo ao trabalho inteligente.

Poucos hospitais, por exemplo, tiraram a papelada das funções dos enfermeiros e atribuíram-na aos funcionários administrativos, que também atendem telefonemas de parentes e amigos dos pacientes.

Em suma, para gerir a organização mais complexa, o hospital, é essencial a especialização para cumprir a sua missão de melhorar continuadamente a qualidade dos serviços produzidos.

Bibliografia: DRUCKER, Peter Ferdinand. Introdução à Administração. São Paulo:
Thomson, 1984

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