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Soldemar
Tonello
Administrador Hospitalar e Diretor Financeiro da
Pró-Saúde
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Eduardo
Martinho
Professor de Administração Hospitalar
e Sáude Publica
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Hospital: a organização
humana mais complexa
Os
hospitais têm resolvido a questão da especialização
por meio da terceirização parcial
Os
trabalhadores do conhecimento não são homogêneos:
sua característica principal é a especialização.
O melhor exemplo se encontra em um hospital - a organização
humana mais complexa. Um hospital comunitário com cerca de 300
leitos emprega diversas categorias profissionais ligadas a saúde.
Três grupos são particularmente grandes: enfermeiros, médicos
e especialistas em administração hospitalar. Há diversas
especialidades paramédicas, dentre as quais os terapeutas ocupacionais,
os técnicos de laboratório, oncologia, radiologia e os assistentes
sociais, entre outros.
Estes especialistas têm suas próprias normas e procedimentos,
exigências em termos de formação e processos de certificação.
Mesmo com tantos envolvidos, para cada área específica de
um hospital, e cada um espera e requer tratamento especial. Além
disso, o hospital não oferece oportunidades de ascensão
profissional para os especialistas. Praticamente nenhum deles quer se
tornar administrador do estabelecimento com poucas chances de chegar ao
cargo.
O hospital tem resolvido a questão da especialização
por meio da terceirização parcial. Em muitos hospitais,
cada especialidade do conhecimento é gerenciada por uma empresa
terceirizada diferente.
Cada vez mais sempre que possível, o hospital recorrerá
à terceirização. Para que uma empresa seja produtiva
será preciso terceirizar as atividades não centrais (meio).
Acredite, a tendência em direção a terceirização
tem pouco a ver com economia e muito a ver com qualidade.
Mas em organizações nos quais a maior parte do trabalho
do conhecimento e da prestação de serviços ocorre
de forma fragmentada é uma norma cada vez mais comum a necessidade
de concentração. O pior caso talvez seja o dos enfermeiros
nos hospitais. É comum ter notícias de escassez de enfermeiros.
Como isso é possível? O número de graduados que entram
na profissão aumentou continuamente por vários anos, enquanto
o número de pacientes diminuiu de modo substancial.
A explicação do paradoxo: hoje os enfermeiros passam apenas
metade do tempo praticando o que estudaram: enfermagem. A outra metade
é consumida por atividades que não requerem qualificações
e conhecimento, tampouco agregam valor econômico ou qualitativo,
e que muito menos têm a ver com o bem-estar do paciente. Os enfermeiros
estão preocupados, é claro, com a avalanche de papelada
para os convênios de assistência médica, para o faturamento.
Isso não é enriquecimento, mas um empobrecimento da função,
que destrói a produtividade, solapa a motivação e
o moral. Os enfermeiros reclamam da falta de tempo para os pacientes.
Como é compreensível, consideram-se mal remunerados por
suas qualificações, enquanto a administração
dos hospitais como também é evidente, acredita que eles
são bem remunerados pelo trabalho burocrático que acabam
fazendo.
Em geral, a cura desse mal é bastante facial. No caso dos enfermeiros,
a saída é concentrar-se na tarefa principal, ou seja, o
cuidado dos pacientes. Esse é o segundo passo rumo ao trabalho
inteligente.
Poucos hospitais, por exemplo, tiraram a papelada das funções
dos enfermeiros e atribuíram-na aos funcionários administrativos,
que também atendem telefonemas de parentes e amigos dos pacientes.
Em suma, para gerir a organização mais complexa, o hospital,
é essencial a especialização para cumprir a sua missão
de melhorar continuadamente a qualidade dos serviços produzidos.
Bibliografia:
DRUCKER, Peter Ferdinand. Introdução à Administração.
São Paulo:
Thomson, 1984
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