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Chegou
o PAC
Governo
e sociedade discutem um novo modelo de gestão
para os serviços de saúde do país

Temporão: tentativa de usar a dinâmica
da saúde
para criar emprego, riqueza e renda.
No início de dezembro, o governo federal lançou oficialmente
o Programa Mais Saúde, também co-nhecido como "PAC
da Saú-de". São metas de médio e longo prazo
que prevêem investimentos até 2011 de cerca de R$ 88 bilhões,
sendo R$ 64 bilhões do Plano Plurianual e outros R$ 24 bilhões
da CPMF (caso seja aprovada, o que não tinha acontecido até
meados de dezembro) e da Emenda 29.
Os objetivos do programa abrangem melhorar a gestão, reduzir filas
em hospitais e criar uma rede de proteção à família,
crianças, homens e idosos.
Segundo o ministro da saúde, José Gomes Temporão,
o plano estima ainda a criação de três milhões
de novos empregos diretos e indiretos no setor, passando de 9,5 milhões
em 2007 para 12,5 milhões em 2011. "A política de saúde
é fundamental para o bem-estar e desenvolvimento da sociedade.
Ela também tem uma dinâmica econômica interna, que
cria empregos, riqueza, renda, inovação e tecnologia",
afirmou Temporão. O ministro apresentou um ex-tenso programa que
pretende inovar principalmente na gestão. "Isso para que a
sociedade saiba para onde é que vai o dinheiro que ela paga de
impostos. Para isso, vamos encaminhar ao Congresso Nacional a proposta
da criação de uma Lei de Responsabilidade Social no campo
das políticas públicas", explicou.
Segundo a assessoria do Ministério da Saúde, o programa
foi desenhado de forma a abranger quatro pilares estratégicos:
• Promoção
e atenção - Gestão, trabalho e controle social. Envolve
ações de saúde para toda a família, desde
a gestação até os idosos.
• Gestão, trabalho e controle social. Qualifica os profissionais
e gestores, forma recursos humanos para o Sistema Único de Saúde
(SUS)
• Ampliação do acesso com qualidade. Reestrutura a
rede, cria novos serviços, amplia e integra a cobertura no SUS.
• Desenvolvimento e inovação em Saúde. Trata
a saúde como um importante setor de desenvolvimento nacional, na
produção, renda e emprego.
Na prática,
entre as metas propostas pelo PAC da Saúde estão:
• Ampliação
de verbas para os estados carentes.
• Reestruturação da rede de atendimento público
na saúde.
• Mais atenção às crianças de zero a
seis anos, para reduzir até 2011 em até 5% as taxas de mortalidade.
• Ampliar de 27 mil para 40 mil as equipes de Saúde da Família
para atender 70% da população.
• Atendimento médico aos alunos das escolas públicas.
• Atenção maior à saúde do homem, que
adoece mais e mor-re em maior número do que as mulheres.
• Chegar a 500 farmácias populares no país e aumentar
o nú-mero de parcerias com unidades do varejo que vendem remédios
populares.
• Aumento da produção de medicamentos nacionais.
• Conclusão das obras já iniciadas de unidades de
saúde.
.

Lula: necessidade de criar conselho gestor para
acompanhar o programa
Nova
tabela do SUS
Estão
previstas no PAC da Saúde a criação de 132 Unidades
de Pronto-Atendimento (UPA) que funcionarão 24 horas, durante toda
a semana, com o objetivo de diminuir o fluxo nas emergências. Isso
baseado em estudos de que sete em cada 10 pacientes que chegam aos hospitais
não apresentam casos de urgência e poderiam ter sido atendidos
ambulatorialmente. As UPA serão integradas ao Serviço de
Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que nos próximos
quatro anos será universalizado para todo o país, com a
aquisi-ção de mais de 4.000 ambulâncias.
Para direcionar adequadamente os pacientes atendidos pelo SUS serão
criados 302 Complexos Reguladores, sendo um em cada estado e em municípios
com mais de 100 mil habitantes para agendamento de consultas, interna-ções
e exames especializados. Esses centros verificarão os melhores
locais para o paciente ser atendido com mais agilidade. Também
dá um diagnóstico para o gestor de saúde de onde
há gargalos no atendimento.
O programa prevê a recomposição da tabela do SUS,
atendendo uma demanda dos prestadores de serviço da rede pública
de saúde. O aumento vai gerar impacto de R$ 5 bilhões, sendo
R$ 3 bilhões de recursos novos. Para ampliar o acesso aos serviços
am- bulatorias e hospitalares, o Mais Saúde implementará
20 novos Centros de Atenção Oncológica. Habilitará
outras 40 unidades, vai reestruturar 300 serviços de hemodiálise,
com 2.608 novos equipamentos, para atender mais de 1 milhão de
pessoas que aguardam órteses e próteses. Prevê habilitar
6.370 leitos de UTI, mais 366 unidades de terapia renal, 155 de serviços
de cardiologia, 230 de neurocirugia e 186 de traumato-ortopedia.
Investirá também na reforma e compra de equipamentos para
140 hospitais de ensino e 260 hospitais filantrópicos, e concluirá
obras ou reforma de 244 hospitais e unidades de saúde públicas,
em um investimento de R$ 3,3 bilhões.

Jatene: inversão na saúde
Fundações
Públicas para gestão
O Mais Saúde
criou novos mecanismos para acompanhar a distribuição dos
serviços de saúde, da atenção básica
aos centros de tratamento do câncer.
São as chamadas Teias, mapas que mostram claramente como a rede
está estruturada, permitindo o investimento nas localidades onde
há vazios de serviços. Uma pessoa do Norte, por exemplo,
não precisará mais viajar para o Sudeste para ter garantido
o seu direito no tratamento de câncer.
Para assegurar que o dinheiro será efetivamente gasto em saúde,
o PAC da Saúde traz novidades como a contratualização
dos estados e municípios . Ou seja, para receber os recursos, os
gestores farão uma espécie de contrato com o Ministério
da Saúde, que estabelece objetivos e indicadores de saúde
que devem ser atingidos. O programa também prevê a criação
da fundações públicas de direito privado.
A política voltada para os homens terá um montante de R$
227 milhões, destinados a ações englobando consultas,
cirurgias, exames preventivos e planejamento familiar para homens. Para
isso, 32 mil médicos serão capacitados. Serão editadas
40 milhões de cartilhas de diagnóstico, prevenção
de câncer e promoção da saúde do homem.
A previsão é de que, em 2008, o SUS dobre de 20 mil para
40 mil o número de vasectomia. A partir de 2009, a estratégia
é aumentar 20% ao ano o número de cirurgias. Para os próximos
quatro anos, serão destinados R$ 37 milhões apenas para
esse procedimento.
As equipes de saúde da família darão assistência
a 26 milhões de crianças matriculadas em escolas públicas.
Elas terão direito a consultas médicas incluindo as áreas
de clínica médica, oftalmologia e otorrinolaringologia.
Haverá fornecimento gratuito de 1,7 milhão de óculos.
A esse programa serão destinados R$ 844 milhões.
Nos próximos quatro anos, será elevado de 11 milhões
para 21 mi-lhões o número de mulheres em idade fértil
atendidas por programas de planejamento familiar. Serão investidos
R$ 790 milhões. As ações incluem distribuição
gratuita de anticoncepcionais, DIU, laqueadura e orientação
sobre outros métodos contraceptivos . Para assegurar o tratamento
de pacientes da terceira idade, o Mais Saúde investirá R$
138 milhões. A eles serão destinados 3,5 milhões
de óculos. Serão qualificados 66 mil cuidadores de idosos.
Encarregadas de prevenção, acompanhamento e promoção
da saúde com orientação sobre hábitos saudáveis
- como boa alimentação e prática de exercício
físicos, além de redução do consumo de álcool
e de fumo - as equipes do programa Saúde da Família serão
aumentadas de 29 mil para 40 mil. Esse aumento possibilitará o
atendimento a 130 mi-lhões de pessoas. O Programa Brasil Sorridente
- a quem compete promover ações de saúde bucal com
prevenção e tratamento - trabalhará para atingir
70% da população, contra os 59% atendidos hoje. Para isso,
o programa assegurou recursos da ordem de R$ 2 bilhões.
Será colocado no calendário básico duas novas vacinas,
a conjugada contra Meningoco C e a contra infecções penumocócicas,
além de ampliar a população-alvo para vacina contra
rubéola e sarampo, com oferta de 80 milhões de doses de
Dupla-Viral em 2008.

CPMF: governo aposta na contribuição
para aumentar os investimentos.
Aumentar
os controles
Além
dos recursos do Ministério da Saúde, o plano Mais Saúde
traz uma parceria com o BNDES e com o Ministério de Ciência
e Tecno-logia. Com isso, serão colocados, ainda segundo o Ministério
da Saúde, mais R$ 3 bilhões no setor produtivo da saúde
para financiar as indústrias do setor, que incluem de equipamentos
e medicamentos a material de consumo da saúde. A estratégia
se apoiará também no poder de compra do Estado para incentivar
a produção nacional de insumos para a saúde. O sistema
de ouvidoria será ampliado para atender mais de 10 milhões
de pessoas que queiram denunciar, criticar ou receber informações
sobre o SUS.
O ex-ministro da Saúde, Adib Jatene, presente ao lançamento
do programa, disse que houve uma mudança para pior na área
da saúde de quatro décadas para cá. "Até
a década de 60, os grandes hospitais do Brasil eram os públicos,
inclusive com os melhores equipamentos. Os privados não eram tão
bem equipados assim. Passados 40 anos, houve uma completa inversão.
O que vemos são hospitais públicos sucateados. Por que houve
tal inversão? É simples, porque o sistema de saúde
privado dispõe de pouco mais de 2 mil reais per capita por ano,
enquanto o publico não atinge 300 reais percapita", disse
Jatene.
Jatene, em cuja gestão foi criada a CPMF, em 1996, se mostrou emocionado
ao ver os planos governamentais. "Estou reconfortado com o PAC da
Saúde. Sempre lutei pela qualidade da saúde pública
e me deparei com as limitações que a área econômica
impõe ao setor da saúde", confessou Jatene. "A
economia está sempre muito perto da riqueza, vê-se quando
um ministro do setor visita São Paulo e vai à Fiesp (Federação
das Indústrias do Estado de São Paulo), à Febraban
(Federação Brasileira dos Bancos). Já o pessoal da
saúde lida com a pobreza, e vai até a periferia. Esperamos
chegar a um consenso com este programa e fazermos a nossa parte. É
um compromisso que o governo assume e que só não dará
certo se não quisermos que dê certo", disse ele.
Mesmo com todo o otimismo pelo lançamento do plano, é preciso
ver na prática como ele será operacionalizado. O próprio
presidente Luís Inácio Lula da Silva cobrou do ministro
um gerenciamento efetivo do programa. Ele defendeu a criação
de um conse-lho gestor com participação da sociedade civil
para acompanhar a utilização da verba do programa. "Muitas
vezes um bom plano é apresentado, mas por problemas de gestão,
o principal não é executado", afirmou o presidente.
O que existe de concreto, por enquanto, são números imponentes
e os planos bem-intencionados.
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