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Doutora
em Administração pela Universidade Mackenzie e
diretora da TCL Consultoria
Os
novos modos de tratar
a roupa dos pacientes
As
prestadoras de home care
precisam orientar os familiares sobre esses cuidados
Os
serviços de saúde passam por uma grande transformação,
em que novas metodologias de atendimento aos pacientes são apresentadas,
no sentido de ofe-recer uma melhor qualidade de vida e minimizar riscos
de infecção. Entre eles, o home care ou Serviço de
Atendimento Domiciliar, uma modalidade de cuidados em saúde em
que são realizados vários tipos de procedimentos médicos
na casa do paciente. É a desospitalização, uma tendência
deste século.
A portaria ministerial nº 356, de 20 de fevereiro de 2002, conforme
“glossário de termos comuns nos Serviços de Saúde
do Mercosul”, define a assistência domiciliar como uma “modalidade
de atuação realizada por um ou mais integrantes da equipe
de saúde no do-micílio do paciente”.
O convívio com a família e amigos possibilita ao paciente
condições de recuperação mais rápida
e também oferece àqueles que se encontram em estado terminal,
a possibilidade de optar por uma morte mais digna junto aos seus familiares.
Os pacientes que se utilizam dessa modalidade de atendimento e que apresentam
um quadro estável, têm a possibilidade de garantir a continuidade
do tratamento com segurança, eficiência e eficácia.
Os pacientes que recebem doses de antibióticos são comuns,
também, nesse tipo de atendimento.
Além do atendimento médico, de enfermagem, de fisioterapia
e os demais necessários para a recuperação, o Serviço
de Atendimento Domiciliar necessita de outros tipos de apoio, como higiene
e limpeza do espaço ocupado pelo pacientes, recolhimento do resíduo
gerado, alimentação etc. Vamos nos concentrar na roupa utilizada
por esse paciente, que exige certos procedimentos, não tão
rígidos como na hospitalização, mas com cuidados
necessá-rios para sua manipulação.
Como a coordenação dos serviços domiciliares fica
a cargo de uma enfermeira, é importante que ela transmita algumas
orientações ao cuidado do paciente em relação
aos cuidados preventivos.
A roupa deve ser sempre mudada e sacudida o mínimo possível,
e colocada em local distante da circulação de pessoas da
casa (co-zinhas e áreas comuns). É importante não
deixar roupas sujas expostas em tanques, baldes, bacias ou no chão.
As roupas com secreção necessitam ser manipuladas com o
uso de luvas domésticas, para que não haja contato com o
lavador. A retirada de fezes da roupa deve ser realizada com cuidado e
o descarte precisa ser feito em vaso sanitário.
A pessoa responsável pela lava-gem deve separar a roupa utilizada
pelo doente das outras roupas usadas pelos demais moradores da casa.
Na utilização da máquina de lavar, observar para
que não haja sobrecarga de roupa, a fim de não prejudicar
o processo. A máquina doméstica e muito sensível
ao excesso de peso.
Na lavagem das roupas utilizam-se sabões (líquido ou em
pó) usados pelos moradores da casa, porém escolhidos com
qualidade. Quando necessário, aplicar na roupa de cama e banho
os alvejantes que possuem, também, ação desinfetante.
O uso de amaciantes é necessário, pois, além do amaciamento,
neutraliza as cargas eletrostáticas das fibras e perfuma o tecido.
Também, nas residências, encontram-se manchas nos tecidos:
acin-zentada (muita roupa na máquina de lavar e pouca ação
mecânica) e amarelada (dosagem excessiva de produtos, tipo de água).
É importante que o usuário leia o manual da máquina,
a fim de verificar o processo de autolavagem da má-quina e a periodicidade
desse pro-cesso, pois o acúmulo de sujeira e crostas nas paredes
prejudica o processo de higienização da roupa.
Portanto, o processo de lavagem, no caso do home care é de ação
mecânica e ação química. Porém, os fabricantes
de máquinas do-mésticas já lançaram no mercado
máquinas com temperatura, o que completaria o processo.
Na passagem da roupa é necessário ter temperatura suficiente
para passar e desenrugar a roupa. A dobragem de lençóis
e colchas, em pacientes acamados, é realizada em sentido longitudinal,
a fim de não sobrecarregar o esforço do paciente nas trocas.
Guardar a roupa em armários e gavetas, evitando a exposição
a poeira e vetores.
Verificar, ao passar, se há resíduos de sujeira ou sabão.
Caso haja, reprocessar a roupa.
Algumas recomendações são importantes para o processo
da roupa cuidada em casa:
•
Utilizar luvas para evitar o contato direto com a roupa utilizada pelo
paciente e com os ferimentos possíveis existentes nas mãos
e, também, com produtos que provoquem alergias.
•
Lavar as mãos, após contato com as roupas sujas.
•
pendurar e secar as roupas em local arejado, caso não haja se-cadora.
• Utilizar oleados plásticos para evitar a umidade do colchão
e higienizá-los, sempre, quando da troca de roupas.
•
Evitar cerzimento para não acumular sabão e poeira.
•
Lavar, sempre, os cobertores e edredons.
•
Trocar os travesseiros, sempre que possível.
•
Procurar controlar as pragas e vetores localizados na residência.
É
importante evitar mandar as roupas usadas pelos pacientes para lavanderias
comerciais, pois sua infra-estrutura é inadequada para os processos
e técnicas de lavagem. Os funcionários, também, não
são treinados para as tarefas, exposição de riscos
e uso de equipamentos de proteção individual. A patologia
do paciente é, também, desconhecida pelos prestadores de
serviço de lavagem de roupas.
Assim, a tendência de atendimento domiciliar ou home care é
a de aumentar, tendo em vista o envelhecimento da população,
o aumento dos custos hospitalares com a permanência do paciente
em internações prolongadas e a necessidade de concentração
do atendimento hospitalar para pacientes críticos. Com isso, os
serviços de apoio são transferidos para a residência
dos pacientes e seus cuidadores devem ser cons-cientizados de sua responsabilidade
e riscos diante deles. A empresa prestadora dos serviços de home
care precisa, obrigatoriamente, esclarecer os familiares sobre os cuidados
com a roupa utilizada pelo paciente.
Contato:
tcl@tcl.com.br
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