OUTUBRO
DE 2005
NÚMERO 48
ANO 4

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ACREDITAÇÃO
 
Rodrigo Felipe Romani
Administrador do Hospital e Maternidade São Domingos, em Uberaba (MG)

Garantia de qualidade?

É necessário estar sintonizado com tudo o que acontece nos pormenores da assistência, dentro e fora do hospital

Desde o primeiro registro a respeito de Acreditação, quando o cirurgião americano Dr. Ernest Codman criou um padrão para controle de qualidade da assistência aos pacientes, muitas evoluções aconteceram nos hospitais no intuito de melhorar a qualidade dos serviços.

A metodologia brasileira contida no Manual Brasileiro de Acreditação Hospitalar vem ganhando força nos principais centros e também no interior do país. Tal movimento contribui substancialmente para a melhoria de todos os serviços dentro do hospital, desde as atividades-meio, bem como as fins.

É imperioso ressaltar os inúmeros benefícios que a Acreditação traz tanto para a própria instituição como para a comunidade. Entretanto, frente a tudo que é posto no manual surge um questionamento: um hospital que ostenta a Acreditação máxima (nível 3 em excelência) possui a qualidade que garanta tudo que o cliente (paciente) espera?

A complexidade da atividade hospitalar é tamanha que não é possível afirmar isso. Uma instituição hospitalar pode ter a certificação em nível 3, mas não atender tudo que o cliente espera. Vamos exemplificar algumas situações: um determinado hospital acabou de receber a certificação em nível 3. Todos os colaboradores e a direção estão orgulhos do título alcançado com muita luta. Entretanto, nota-se que os colaboradores do hospital não possuem o espírito da humanização, da aproximação em atender os clientes, em entender seus problemas, em sorrir ao iniciar um atendimento. O hospital pode estar acreditado em nível 3 e não conseguir perceber ou mesmo resolver esse ponto falho, considerando-se o papel da Gestão da Qualidade previstos no Manual de Acreditação.

Vamos a outra situação. Novamente o hospital é acreditado em seu nível máximo. O corpo clínico possui protocolos médicos que são avaliados periodicamente, a assistência do paciente segue planejamento multidisciplinar e interdisciplinar, enfim, há o tão almejado nível de excelência no hospital. Porém, em determinada situação um profissional médico, por imprudência ou distração, ao invés de ministrar uma determinada medicação ministrou outra, levando o paciente a óbito.

Poderíamos aqui descrever outros exemplos de situações em que a Acreditação Hospitalar não garante a qualidade efetiva em todos os processos dentro de um hospital. Evidentemente que, pelo constante acompanhamento de todos os processos, irá se saber onde ocorreram determinados erros, para discussões e correções. Mas há situações – os auditores da instituição avaliadora trabalham com evidências objetivas – que podem passar despercebidas, não garantindo a qualidade.

É preciso deixar bastante claro que os princípios do Manual Brasileiro de Acreditação Hospitalar trouxeram subsídios de enorme importância para a busca da qualidade nos hospitais brasileiros, os quais, historicamente, estiveram atrás da indústria com suas modernas ferramentas administrativas. Somos totalmente a favor da Acreditação hospitalar, contudo, não podemos tomá-la como a única ferramenta para garantir a difícil, árdua e, muitas vezes, impossível tarefa de entender na individualidade de cada cliente suas necessidades, visando a qualidade. Precisamos, além da Acreditação hospitalar, estarmos sintonizados de forma bastante afinada a tudo o que acontece nos pormenores da assistência médico-hospitalar, dentro e fora do hospital.


Contato: rodrigo@mg.prosaude.org.br                                                           topo