OUTUBRO
DE 2005
NÚMERO 48
ANO 4

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CAPA
 

Lucros em QUEDA
Pesquisa mostra que margem líquida de grandes
hospitais caiu e dívidas aumentaram

Receitas: a maior parte dentro dos hospitais provem de materiais e medicamentos

Um estudo feito pelo Centro Paulista de Economia da Saúde (Cpes), da Universidade Federal de São Paulo, com 33 hospitais brasileiros, alguns deles de ponta, mostrou que os lucros desse grupo em 2004 encolheram de 4,7% para 1,8%, apesar de a margem operacional ter crescido de 8,7% para 9,7%. Os dados foram divulgados na pesquisa denominada Sistema Integrado de Indicadores Hospitalares, que envolveu entidades ligadas à Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp). Reunidas, essas instituições respondem por 10% da receita dos hospitais brasileiros, apesar de representarem apenas 0,4% das unidades hospitalares e possuírem 1,2% dos leitos. Fizeram parte do estudo, entre outros, hospitais como Albert Einstein e Sírio Libanês, ambos de São Paulo, Moinhos de Vento, do Porto Alegre, e Aliança, de Salvador.

Dos hospitais pesquisados, 56% deles são filantrópicos. A média de leitos é de 196. A maior parte das receitas, 43%, foram provenientes do fornecimento de materiais e medicamentos, item que aumentou quase 40% em relação a 2002, quando representava 32% da composição das receitas dos hospitais. As diárias vêm em segundo lugar, com 20%. As principais fontes de pagamentos foram as administradoras de planos de saúde, com 33,5% do total. Nesse caso, houve queda em relação aos anos anteriores: 37,2% em 2003 e 41,5% em 2002. A receita líquida ficou em R$ 3,2 bilhões e o resultado operacional, em R$ 321 milhões.

Para o coordenador do projeto, Francisco Balestrin, “os hospitais estão se transformando, infelizmente, em centros de distribuição de materiais e medicamentos”. Para o coordenador, esse dado é conseqüência da falta de reajuste nas tabelas das diárias e taxas pagas pelas operadoras de planos de saúde. Na análise de Jorge Padovan, do Cpes, “os hospitais tiveram de se endividar mais em 2004, principalmente para conseguir investir e como conseqüência tiveram que pagar mais juros".

A folha de pagamento representou o maior item das despesas, com 35%, seguida da compra de materiais e medicamentos. As taxas médias de inadimplência caíram de 6,46% em 2003 para 3,61% em 2004. Isso também comprometeu a margem líquida que, em 2004, caiu para 1,8%, depois de subir de 1,49% para 4,69% na comparação de 2002 para 2003. Esses resultados prejudicaram os investimentos em tecnologia, treinamento e formação de capital de giro.

As internações cresceram 23%, puxados pelos números do hospital-dia que aumentaram de 8,9% para 11,4%. As internações eletivas caíram de 77% para 69% e emergenciais subiram de 23% para 31%. Cerca de 90% das fontes pagadoras foram representadas pelas operadoras de saúde, número que se manteve estável nos últimos três anos. As taxas médias de ocupação também se mantiveram estáveis, em torno de 74%, o mesmo ocorrendo com o tempo médio de permanência, ao redor de 4,17 dias.

O número médio de funcionários por leito vem crescendo ano a ano: 5,7 (2002), 6,33 (2003) e 6,79 (2004). Os índices de rotatividade de pessoal caíram para menos da metade dos indicadores de 2002. Ficaram em 8,59%, contra 19,6% daquele ano e 18,6% do ano passado. A menor rotatividade pode ter sido estimulada pelo fato de 55% dos hospitais associados à Anahp possuírem algum nível de Acre-ditação, o que pressupõe maior investimento em pessoal e treinamento.

Os hospitais procuraram compensar as despesas financeiras maio-res com o atendimento a mais pessoas e com prestação de serviços de maior rentabilidade. Foi o caso do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, que criou novas unidades de serviço e leitos para tratamento intensivo, gerando um superávit de R$ 41 milhões, cerca de 11% superior a 2003. O Hospital Santa Catarina, também da capital paulista, inaugura em outubro uma nova unidade de atendimento, em que iniciará o serviço de cardiologia e planeja a construção de uma área vip. Além de uma UTI para cardiologia, serão inauguradas, na sequência, expansões da UTI pediátrica, neonatal e unidade ambulatorial de oncologia. Somente na área física, foram investidos R$ 25 milhões e em equipamentos para a unidade de cardiologia, mais R$ 5 milhões. A inauguração faz parte de um projeto de modernização e ampliação do hospital, que deve aumentar em 18% seu faturamento.

Apesar de representar uma parcela pequena dos hospitais brasileiros, a pesquisa reflete uma realidade comum a muitas insti-tuições. A briga contra as dificuldades financeiras e a queda de receitas é comum a grandes e pequenos. Em 2005, apesar de a pesquisa da Anahp ainda estar em andamento, é possível que os indicadores piorem, em função da crise em que vivem os hospitais e as seguradoras. É esperar para ver.

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