OUTUBRO
DE 2005
NÚMERO 48
ANO 4

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CASE
 

Qualidade, volver
O modesto hospital militar João Pessoa
que está se tornando modelo de gestão

 
Hospital de Guarnição: almejando o nível 3 de Acreditação

A rígida disciplina talvez explique parte do sucesso do Hospital de Guarnição de João Pessoa (PB), o primeiro hospital militar do Brasil a ser acreditado, em 2002, e o único a ter o nível 2. Até novembro, almeja outro feito. Pleiteia o nível 3, que fará com que integre o restrito time dos outros três hospitais brasileiros com o mesmo título (Márcio Cunha, de Ipatinga e Mater Dei, de Belo Horizonte, ambos em Minas Gerais, e Oswaldo Cruz, de São Paulo). Os resultados obtidos pelo HGuJP foram reconhecidos em junho, quando o tenente coronel Ramon Baptista Soares, médico com especialização em Administração e diretor do hospital, recebeu o prêmio Johnson & Johnson de Administração Hospitalar, vencendo outros dez projetos enviados de todo o país.

Com infra-estrutura pequena, o hospital tem 19 leitos, 280 funcionários, 45 deles civis, e 30 médicos. Surgido na década de 50 como um simples posto médico do 1º Grupamento de Engenharia de Construção, o HguJP transformou-se em maternidade e hospital em 1996. Em 1998, foi o primeiro hospital militar do mundo a obter o título de “Amigo da Criança”. Em 2002, por iniciativa do então diretor, tenente coronel Antônio Marques, iniciou os preparativos para Acreditação. Em 2004, obteve o primeiro lugar entre as organizações militares de saúde do Comando Militar do Nordeste (CMNE), como parte do Programa de Excelência Gerencial do Exército.

“O HGuJP atende cerca de 15 mil pessoas, entre militares, civis do Ministério da Defesa e os respectivos dependentes”, explica o diretor interino major médico José Edacyr Simm, com MBA em Gestão Hospitalar. Como João Pessoa tem a característica de ser uma cidade de “aposentados”, teoricamente com mais problemas de saúde, o hospital está sempre sobrecarregado, principalmente em atendimentos de geriatria, cardiologia e pneumologia.
Por outro lado, dentro do meio militar há critérios peculiares de gestão. Um médico, por exemplo, pode ser transferido para a área administrativa a qualquer hora. Por isso, a formação costuma ser eclética. A regra geral é que o diretor seja sempre o militar mais antigo e de maior patente. A burocracia também é grande. Associada aos controles impostos pela Acreditação, só aumenta. Portanto, as dificuldades foram inúmeras.

“Houve uma ordem do comando de Brasília para que todos os hospitais militares do País buscassem a Acreditação. Só o HguJP conseguiu”, constata o capitão Marcelo Ildefonso Santos, administrador que redigiu o projeto premiado. “Foi como uma revolução dentro do hospital, com a vinda de outros órgãos, que não os próprios dos militares, para verificar as medidas de qualidade que deviam ser implantadas, caso da Anvisa”, explica Santos.
Na busca da gestão da qualidade, um hospital militar tem vantagens e desvantagens em relação aos hospitais comuns. “A principal vantagem é a disciplina interna. As ordens são sempre cumpridas. Ou faz ou faz”, justifica o major Edacyr, embora reconheça que o grande agente modificador tenha sido os novos paradigmas culturais e operacionais implantados.

A desvantagem, segundo o major, é justamente a burocracia que todo gestor militar não pode deixar de cumprir, como a profusão de relatórios. Some-se a falta de aportes financeiros. Para Acreditação de uma autoclave, por exemplo, o hospital precisou buscar parcerias com fornecedores. Agora mesmo o custo da visita técnica para avaliação do nível 3 deve custar cerca de R$ 16 mil. Dificuldades que o HguJP vem superando com coração civil e disciplina militar.


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