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Mais
transparência
A gestão de processos é a expressão da onda que está invadindo o mundo organizacional. Para se entender o que significa pode-se compará-lo com o futebol. Os fãs certamente sabem de cor a escalação do quarteto atacante do Santos Futebol Clube do início da década de 60, com Pelé, Coutinho, Pepe e Dorval. Era o máximo de excelência de desempenho com foco nos resultados, quase sempre impiedosas goleadas. Cada um daqueles craques tinha competência e a aplicava em benefício da equipe. É disso que trata a gestão de processos. O professor Dieter Kelber, especialista no tema, explica como esse modelo pode servir para a iniciativa pública e privada, inclusive na gestão da saúde. A implantação desse modelo, segundo Kelber, tende a tornar mais transparentes os processos e isso tornaria mais difíceis as fraudes e os desvios. Nesta entrevista, ele mostra como a gestão de processos pode tornar mais transparente as relações internas das instituições e dessas com clientes e a própria sociedade. Notícias Hospitalares - A gestão de processos pode fazer a administração pública ser mais transparente e menos vulnerável a casos de corrupção? Dieter Kelber - Sim, pode tornar mais transparente não só a administração pública, como as empresas também. A gestão de processos enxerga horizontalmente, em vez de verticalizar a administração. Para que possa funcionar a contento, é preciso um bom suporte de tecnologia. Em cada atividade, o gestor precisa contar com a informação para que a organização seja produtiva, eficiente e eficaz. Quando se busca isso todas as atividades passam a ser mais transparentes. O gestor sabe como funciona cada etapa e pode controlá-la. NH - Como se implanta a gestão de processos? Dieter Kelber - Ela começa por definir os objetivos, sempre de cima para baixo, a partir da cúpula da organização. Esse objetivo pode ser trazer benefício ao cliente. Depois se define uma estratégia clara. Na área hospitalar, fazer com que meu cliente saia melhor do que quando chegou. A partir daí é necessário trabalhar os procedimentos, descrevendo as atividades de cada área e buscar a melhoria contínua. Trata-se da busca da maior produtividade possível, principalmente com apoio tecnológico. NH - O que diferencia então a gestão de processo na área pública e privada? Dieter Kelber - A gestão privada, evidentemente, visa o lucro. A pública deve focar o melhor atendimento possível ao cidadão. Mas, ambas precisam ser produtivas. NH - Como surgiu a necessidade de as administrações serem mais transparentes? Dieter Kelber - O mundo começou a se preocupar com os casos de lavagem de dinheiro. Por isso, governos e entidades privadas tiveram que se adaptar e buscar gestões mais transparentes. Hoje nas diversas CPIs que correm no Congresso brasileiro, por exemplo, basta que os deputados busquem as informações financeiras no Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), do Ministério da Fazenda. Está tudo lá registrado. Algumas prefeituras, por sua vez, já usam programas que fazem toda a contabilidade com emissões de notas fiscais automatizadas, o que praticamente elimina o “caixa dois”. NH - São modelos internacionais aplicados no Brasil no que se re-fere gestão dos processos? Dieter Kelber - Há modelos importados e modelos que nós exportamos, de início surgidos no setor financeiro e nos governos, em função dos controles internacionais para se controlar as operações de lavagem de dinheiro. Para as empresas, esses controles começaram a ser feitos porque se buscava a eficiência e a produtividade. NH - Quais setores públicos estão mais evoluídos nesse aspecto de controles? Dieter Kelber - Vários deles, como o Tesouro Nacional, Banco Central, Banco do Brasil e Petrobras. Outros, como Ministério da Saúde e INSS, ainda estão engatinhando nesse processo. NH - Em quais serviços públicos há mais probabilidades de eventuais fraudes ou desvios financeiros? Dieter Kelber - Quanto mais dinheiro envolvido e menor a informatização, maiores as probabilidades e menor a transparência das ações. No Brasil, há os fundos de pensão que ainda não primam pela transparência. É muito dinheiro trafegando para lá e para cá e nesse tráfego alguém sempre ganha. O Congresso Nacional já levantou esse assunto numa das atuais CPIs. NH - Na área hospitalar, como podem ser implantados esses processos de controle? Dieter Kelber - Todos esses processos podem controlar, por exemplo, o fluxo de pagamento, mas não garantem que o material que está sendo comprado atende às especificações exigidas. Isso só pode ser alimentado por um programa de qualidade, com a criação de padrões mínimos. Mas como controlar a qualidade do atendimento ao paciente? Acho que muitas vezes o paciente se sente tão abandonado que ir ao hospital acaba virando uma espécie de programa. Às vezes, esse atendimento requer tão somente um prato de comida ou apenas carinho. Na minha opinião, o governo deveria de antes de gastar com saúde, gastar mais com educação. A gestão de processos enxerga
hotizontalmente, em vez de verificar a administração |