OUTUBRO
DE 2005
NÚMERO 48
ANO 4

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PERFIL
 

Visão Empresarial
Empresário bem-sucedido, Luiz Alberto Battistella
administra a escassez na Santa Casa de Limeira

Battistella: buscar o equilíbrio dentro dos limites do hospital

Quando, em abril deste ano, o empresário Luiz Alberto Battistella foi eleito para a provedoria da Santa Casa de Limeira, interior de São Paulo, ele já sabia do tamanho do problema que o esperava no hospital: R$ 20 milhões em dívidas. Com 78% do atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), 300 leitos, 1.100 funcionários, corpo clínico de 350 médicos, a Santa Casa funciona como hospital regional de ensino com residência para 13 especialidades, atendimento de alta complexidade e está tecnicamente bem aparelhado.

Como mais um empresário que se preocupa com os problemas de sua comunidade, Battistella resolveu enfrentar o desafio pelos próximos três anos, tempo em que dura seu mandato. Formado em Administração de Empresas e pós-graduado pela Fundação Getúlio Vargas em Administração Financeira, ele é realista quanto ao que precisa ser feito. “Buscar o equilíbrio financeiro, com visão empresarial e dentro dos limites e regras que o hospital impõe”, explica.

As primeiras medidas foram dentro do padrão ortodoxo de gestão: “racionalizar” o quadro de pessoal (“o que não significou reduzir, mas avaliar melhor a pirâmide de cargos do hospital”), renegociar a dívida com fornecedores, reduzir despesas, aumentar receitas e criar parcerias para inclusão de novos serviços como uma unidade coronariana.

Mesmo com a nova ordem implantada na Santa Casa, Battistella diz não estar encontrando resistências. “Na verdade, o próprio pessoal clamava por mudanças clínicas e administrativas”. O relacionamento entre ele e a equipe do hospital é bom. O mesmo ocorre com as autoridades municipais de Limeira, cidade que faz parte do regime de gestão plena da saúde.

Dono da Loop, que fabrica embalagens plásticas para os setores automotivos, saúde animal e agroquímico, Battistella teve que mudar sua rotina de trabalho desde que assumiu o cargo. Seu expediente no hospital é dado às segundas, quartas e sextas-feiras, das 13h até o final do expediente, em geral às 18h. O trabalho é inteiramente voluntário e ele o assume como uma responsabilidade social que tem com a comunidade.

Se tudo der certo e não houver solavancos externos, pretende sanear a dívida em três anos. “É preciso saber administrar a escassez”, constata. Em outubro, a idéia é promover um grande jantar para arrecadar fundos para o hospital, evento que o hospital não tinha o costume de realizar. “Vamos implantar essa cultura. Toda a ajuda é bem-vinda”.

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