OUTUBRO
DE 2005
NÚMERO 48
ANO 4

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RH
 
Armando Correa de Siqueira Neto
Professor de Gestão de RH pela Faculdade de Administração de Limeira (SP)
e de Pedagogia Empresarial da Faculdade Maria Imaculada de Mogi Guaçu (SP)

Aprendizagem e mudança nas organizações

Para alcançar o sucesso, deve-se sempre ter em mente que é fundamental se transformar

Mudança e aprendizagem andam de mãos dadas. Quando se avança a uma nova situação e dela se extrai determinada compreensão, muda-se de um estado para outro, deixando a velha forma de saber. Aprende-se para mudar e muda-se com o que se aprendeu. É por intermédio dessa parceria que se obtém algum tipo de transformação: parcial ou total, planejada ou imprevista, conceitual ou prática.

Na vida organizacional, mudanças parciais ou totais podem ocorrer em virtude de como se planeja, compreende e se desenrola o desenvolvimento de pessoal, levando-se em conta a cultura educacional, recursos disponíveis, conhecimento, estratégia pedagógica e modelo de liderança que acompanha cada seguidor, conhecendo suas singularidades, inclusive o que o motiva para a aprendizagem.

A aprendizagem planejada encontra amparo no método e tende a minimizar os erros e a ampliar a margem de acertos. É entendido que o improviso, contrariamente à preparação, conduz ao equívoco. Todavia, é nesse momento que nasce a possibilidade de ser criativo e a ousadia intuitiva pode surpreender favoravelmente. A união entre método e criatividade pode revelar o sucesso nos momentos de mudança.

A mudança conceitual pode ser compreendida como conhecimento registrado que aguarda seu uso, ou algo que não tenha impactado significativamente na pessoa. A aprendizagem pode, contudo, ser praticada por força da pressão que se recebe de uma dada circunstância, por imposição. Em contrapartida, o ponto alto do processo de transformação é quando a motivação permeia a consciência do que se aprendeu e a ação voluntária, decorrente, busca uma forma de realização ideal, visando o aperfeiçoamento por meio de novas aprendizagens.

Embora o ser humano seja prova viva de que a mudança lhe é familiar, por meio das suas modificações físicas, psíquicas e sociais, encontra dificuldade quando se depara com novos projetos na vida pessoal e profissional, ocasionando a si algum tipo de desgaste emocional. Em geral, por crenças que se constrói acerca de si mesmo ao longo da vida. Outro aspecto importante a ser considerado é a acomodação, cuja base, assenta-se sobre a economia de energia que a rotina oferece, em contraposição ao desgaste sofrido em qualquer novo empreendimento de mudança e aprendizagem. Somam-se os medos humanos, sejam eles o de errar, do desconhecido, das situações estressantes. Eles impedem, em variados graus, a abertura a aprendizagem e a mudança. A expectativa gerada pelo medo pode criar uma imagem superestimada da realidade a ser alcançada, levando a falsa crença de que mudar e aprender são situações distantes e de dificuldades demasiadas e às vezes o são mesmo.

As organizações que entendem seu papel na educação do colaborador atendem aos apelos do mercado, que demanda adaptações constantes. A atitude de gerar a cultura da aprendizagem e da mudança na vida organizacional centra-se no esforço de discutir, planejar e atuar na direção das adaptações de sobrevivência e crescimento. Vale lembrar que os colaboradores, ao serem estimulados por suas lide-ranças, podem empreender colaborativamente nesse tipo de projeto. Aprendizagem e mudança andam juntas, e criam novas estradas para se caminhar a novos destinos. Pelo esforço organizacional, pelo desejo pessoal de cada colaborador, ambos os lados devem refletir a respeito e se questionar acerca do que obstrui o exercício diário de se aprender e mudar mais. E, conjuntamente, habituar-se à prática da educação transformadora.

Contato: selfcursos@uol.com.br                                                                    topo