OUTUBRO/NOVEMBRO
DE 2002
NÚMERO 39
ANO 4
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EM ÚLTIMA ANÁLISE
 
José Carlos Rizoli

Presidente da Pró-Saúde - Associação Benificente de Assistência Social e Hospitalar


Reflexões sobre os eleitos

Quando este artigo estiver sendo lido, já terá ocorrido o primeiro turno das eleições.
Os candidatos escolhidos foram vencedores?
Fomos derrotados nas urnas?
Conseguimos eleger nossos representantes?
Vimos ruir os nomes por nós sufragados?
Quaisquer que tenham sido os resultados, seguramente o tema eleições sempre suscita reflexões, pois é o momento mágico de todo país democrático.
No caso das eleições deste ano vimos alguns fatos dignos de serem explicitados:

  • Assistimos a um festival de acordos e coligações jamais imagináveis, com partidos visceralmente adversários aliando-se, sem levarem em conta estatutos, princípios, filosofia ou qualquer outro fator ideológico, buscando tão-somente o resultado final das urnas.
  • Constatamos as atitudes de figuras que, ao longo de toda sua vida pública, estiveram em lados antagônicos e que sempre se pautaram por acusações mútuas, e que repentinamente se reconciliaram e juntos dividiram o mesmo palanque.
  • Os fatores econômicos dominaram completamente os discursos e programas, relegando-se a plano secundário temas tão importantes quanto este, como promoção social, educação, saúde, etc.
  • O festival de baixarias atingiu seu mais baixo nível, ocorrendo acusações de ordem pessoal e envolvendo, não poucas vezes, a moral e a honradez dos candidatos.
  • As promessas foram simplesmente mirabolantes, chegando-se ao exagero da grande maioria dos candidatos a cargos legislativos afirmar que iria melhorar a segurança da população, como se tal providência fosse de sua alçada.
  • Nos debates que deveriam teoricamente esclarecer suas propostas e programas, os candidatos limitaram-se a atacar os outros, procurando sempre um possível deslize para fazer valer sua “esperteza”.
  • Os programas eleitorais gratuitos, tanto no rádio quanto na TV, foram de uma veia humorística formidável, pois no desejo de se fazer reconhecer pelo eleitorado os candidatos lançaram mão de todos os artifícios possíveis, chegando a momentos de intenso ridículo.