OUTUBRO
DE 2004
NÚMERO 45
ANO 4
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ACREDITAÇÃO
 
Rubens J. Covello

Médico e administrador hospitalar


O importante e o urgente no atendimento

Os profissionais da saúde estão sempre trabalhando permeados por ações de urgência. O fato de trabalharem com saúde e doença, vida e morte, faz com que em primeiro lugar se convençam, e, depois, tentem convencer os outros, de que tudo o que fazem é urgente ou urgentíssimo, e que sempre trabalham muito e mais responsavelmente que os outros profissionais, simples mortais. A urgência nas ações é talvez uma forma de sentirem-se mais seguros. Assim se formou a cultura desses profissionais, em que tudo se justifica pela necessidade de atender cada vez mais o maior número de pacientes, sem a preocupação de identificar o que é realmente importante para garantir a segurança e qualidade da assistência.

O planejamento e a preocupação em assegurar a qualidade da assistência, devem ser o foco dos profissionais ligados à prestação de serviços de saúde. Podemos implementar uma mudança imediata do hábito da urgência? Não. A verdade é que a maioria dos profissionais de saúde não sabem e nunca foram orientados de como priorizar suas ações. Executam as tarefas de forma não padronizada, sem o controle e monitoramento dos pontos de risco existentes em seus procedimentos. E sabemos que a ausência de lógica na busca de melhores resultados e maior desempenho fazem com que as pessoas desconheçam ou não valorizem o que é mais importante nos seus procedimentos de assistência.

Esse despreparo no atendimento é potencializado pelos desafios das exigências atuais do mercado, dos compradores e usuários, que co-bram cada vez mais qualidade no atendimento. E como fazer? Bastará aumentar as habilidades dos nossos colaboradores de fazer mais coisas em menos tempo? Ou aumentar o número de horas de treinamento? Não, mais importante que tentar fazer as coisas mais certas é estar preocupado em fazer as coisas de uma forma correta, respeitando o planejamento prévio e a padronização das melhores práticas.

E como fazer certo da primeira vez, garantindo melhorias contínuas e descartando as ações de urgência que não agregam valor ao cliente e colaborador? Implementando o "Gerenciamento de Processos". Descrever os procedimentos da assistência, definir a interrelação entre os diversos setores, definir as metas e os métodos para atingir o que foi proposto, criando uma estruturação dos procedimentos e protocolos. Somente depois das normas e rotinas descritas é que se deve implementar os treinamentos de capacitação dos colaboradores, focando a melhoria contínua, a qualidade da atenção.

Só poderemos falar em segurança e qualidade na assistência à saúde quando reconhecermos as tarefas realmente importantes e descartarmos todas as ações de urgência que não agregam valor à assistência e impedem os profissionais da área de exercer com eficácia suas ações e buscar melhorias para atingir a excelência.

Aniversário

O Sistema Brasileiro de Acreditação faz cinco anos com desempenho que demonstra sua credibilidade, acreditando: 34 hospitais, dois serviços de hemote-rapia e um laboratório de patologia clínica. Mais de 100 hospitais estão em processo de implantação da metodologia ONA.
 
Acreditados

Em 2004, o Instituto Qualisa de Gestão (IQG), que dirijo, acre-ditou os hospitais Unimed de Franca, Oftalmológico de Soro-caba, Hospital de Cruzeiro do Sul e São Camilo - Unidade Pom-péia (nível 2). Ainda buscam o título: o Santa Catarina (SP), Es-tadual de Bauru, São José (RJ), Jorge Valente de Salvador (BA), Medical de Limeira (SP), Gas-troclínica de S. J. dos Campos (SP), Vita de Volta Redonda (RJ), Unimed de Brasília e Santa Helena de Santo André (SP).

 

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