Administração
militar
Rualdo Fernandes
Pessôa: diretor geral
do Hospital da Aeronáutica de São Paulo
Em
2000 e 2003, o Hospital da Aeronáutica de São Paulo (Hasp)
conquistou o certificado do Programa de Controle de Qualidade Médico-Hospitalar,
outorgado pela Associação Paulista de Medicina (APM) e
pelo Conselho Regional de Medicina do Es-tado de São Paulo (CRM-SP).
Somente outras 13 instituições possuem esse selo em todo
o país. Todas civis. Este ano está no páreo para
a disputa do Prêmio Nacional de Gestão de Saúde
(PNGS), também promovido pela APM.
O
Hasp é comparável a um hospital de médio porte.
A entidade, que atende somente a militares e seus familiares, possui
46 leitos, 70 médicos (apenas um deles civil), 39 dentistas,
11 farmacêuticos e outros profissionais da área clínica
e de apoio. O diretor da instituição, o coronel Rualdo
Fernandes Pessôa, 52 anos, é militar, médico e possui
MBA em Gestão de Saúde pela Fundação Getúlio
Vargas do Rio de Janeiro. Ingressou na Aeronáutica em 1976 e
é administrador do Hasp desde 2003 (cada mandato vale por três
anos). Em seu gabinete, em São Paulo, ele explicou a Notícias
Hospitalares as peculiaridades da administração de um
hospital militar.
Notícias
Hospitalares - Quais as razões para o Hasp pleitear atestados
de qualidade?
Cel. Rualdo Fernandes Pessôa - Esse selo é muito
importante para a instituição pois atesta a qualidade
no atendimento aos nossos pacientes, demonstrando que o trabalho está
sendo satisfatório. Ganhamos o CQH em 2000 e em 2003 houve a
ratificação dessa conquista. O que prova que evoluímos,
pois a cada ano cresce o grau de exigência dos averiguadores da
premiação. Em todo o país apenas 14 entidades possuem
o selo de qualidade. Somos o único hospital militar com esse
certificado.
NH - Quais são as particularidades de se administrar
um hospital militar?
Pessôa - Na área clínica a gerência
é semelhante a de qualquer hospital civil. Entretanto, no que
diz respeito à parte administrativa nós temos algumas
peculiaridades. Estamos subordinados a normas e legislações
militares. No nosso caso, seguimos as normas e regulamentos do Comando
da Aeronáutica.
NH - Como foi preparada a gestão profissionalizada do Hasp?
Pessôa - Durante a carreira o militar é preparado
diversas vezes para ocupar cargos administrativos. Uma das primeiras
atividades ao se entrar na Aeronáutica é realizar um curso
de adaptação à corporação no qual
são passados procedimentos básicos de administração.
Depois, ao chegar ao posto de capitão, é necessário
cursar a Escola de Aperfeiçoamento da Aeronáutica. Esse
curso prepara para ocupar cargos de administração. Em
níveis de major e tenente-coronel, e quando o militar também
é médico, faz-se o curso Estado Maior e Superior de Comando.
Eu passei por todas essas etapas e também sou MBA em Gestão
de Saúde pela Fundação Getúlio Vargas.
NH - Como é dividida a área administrativa do hospital?
Pessôa - Há o diretor e os chefes de divisão
na área médica, odontológica, paramédica
e administrativa.
NH
- Qual a estrutura atual do hospital?
Pessôa - Há uma estrutura para atender
a diversas especialidades médicas. Temos serviço ambulatorial,
odontológico, laboratório de análises clínicas,
pronto-socorro, centro-cirúrgico, unidades de internação,
sala de parto e berçário, centro de endoscopia, farmácia,
laboratório de anatomia patológica, fisioterapia e unidade
de terapia intensiva (UTI). Somos capazes de atender a quase todos os
casos, sem necessidade de transferir o paciente para outras instituições.
Em 2003, apenas 83 casos foram transferidos para outros hospitais por
não termos suporte para atendê-los, num universo de 121.719
atendimentos ambulatoriais e 6.625 internações.
NH
- O Hasp é direcionado a militares da Aeronáutica de que
região?
Pessôa - A instituição oferece
assistência médico-hospitalar em nível terciário
para toda a comunidade da Aeronáutica na área do Quarto
Comando Aéreo Regional, que inclui os estados de São Paulo
e Mato Grosso do Sul. Nosso público-alvo são os militares
que residem nessa jurisdição.
NH - Qual é a origem dos recursos financeiros?
Pessôa - Uma parte vem diretamente do planejamento
orçamentário do comando da Aeronáutica. A outra
parte é destinada pela Diretoria de Saúde da Aeronáutica,
por meio da Sub-diretoria de Aplicação dos Recursos da
Assistência Médico-Hospitalar da Aeronáutica.
NH - Há quantos hospitais da Aeronáutica no Brasil?
Pessôa - São três hospitais de Força
Aérea, seis hospitais de área, que inclui o nosso, e diversas
unidades de segundo e primeiro escalões, como hospitais e bases
de saúde de menor complexidade, espalhadas pelo país.
NH - Qual é a razão de os médicos serem quase
todos militares?
Pessôa - É fundamental. A principal razão
é que o "médico-militar" já possui as
prer-rogativas militares, entende como funciona a corporação.
Em caso de emergência, por exemplo, ele está sempre à
disposição para viajar a outras localidades, o que seria
mais difícil no caso de um médico civil. Além disso,
manter um médico civil aumentaria os custos.
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