OUTUBRO
DE 2004
NÚMERO 45
ANO 4
>>

PRINCIPAL

SALA DE ESPERA
SAÚDE GERAL
EDITORIAL
ENTREVISTA
REPORTAGENS
-HOSPITAIS DE ENSINO
-RACIONALIZAÇÃO
-PERFIL
CAPA
ARTIGOS
-INTERFACE
-COMUNICAÇÃO
-ARTIGO DO LEITOR
-QUALIDADE
-MARKETING
-ACREDITAÇÃO
-MOTIVAÇÃO
-GESTÃO PÚBLICA
-MBA
-JURÍDICO
ENFOQUE LEGAL
CRÔNICAS MÉDICAS
EM ÚLTIMA ANÁLISE
EXPEDIENTE
EDIÇÕES ANTERIORES
FALE CONOSCO
CRÉDITO
Clique para ampliar














































ENTREVISTA
 
Bruno Hoffmann

Administração militar

Rualdo Fernandes Pessôa: diretor geral
do Hospital da Aeronáutica de São Paulo

 

Em 2000 e 2003, o Hospital da Aeronáutica de São Paulo (Hasp) conquistou o certificado do Programa de Controle de Qualidade Médico-Hospitalar, outorgado pela Associação Paulista de Medicina (APM) e pelo Conselho Regional de Medicina do Es-tado de São Paulo (CRM-SP). Somente outras 13 instituições possuem esse selo em todo o país. Todas civis. Este ano está no páreo para a disputa do Prêmio Nacional de Gestão de Saúde (PNGS), também promovido pela APM.

O Hasp é comparável a um hospital de médio porte. A entidade, que atende somente a militares e seus familiares, possui 46 leitos, 70 médicos (apenas um deles civil), 39 dentistas, 11 farmacêuticos e outros profissionais da área clínica e de apoio. O diretor da instituição, o coronel Rualdo Fernandes Pessôa, 52 anos, é militar, médico e possui MBA em Gestão de Saúde pela Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro. Ingressou na Aeronáutica em 1976 e é administrador do Hasp desde 2003 (cada mandato vale por três anos). Em seu gabinete, em São Paulo, ele explicou a Notícias Hospitalares as peculiaridades da administração de um hospital militar.

Notícias Hospitalares - Quais as razões para o Hasp pleitear atestados de qualidade?

Cel. Rualdo Fernandes Pessôa -
Esse selo é muito importante para a instituição pois atesta a qualidade no atendimento aos nossos pacientes, demonstrando que o trabalho está sendo satisfatório. Ganhamos o CQH em 2000 e em 2003 houve a ratificação dessa conquista. O que prova que evoluímos, pois a cada ano cresce o grau de exigência dos averiguadores da premiação. Em todo o país apenas 14 entidades possuem o selo de qualidade. Somos o único hospital militar com esse certificado.

NH - Quais são as particularidades de se administrar um hospital militar?

Pessôa -
Na área clínica a gerência é semelhante a de qualquer hospital civil. Entretanto, no que diz respeito à parte administrativa nós temos algumas peculiaridades. Estamos subordinados a normas e legislações militares. No nosso caso, seguimos as normas e regulamentos do Comando da Aeronáutica.

NH - Como foi preparada a gestão profissionalizada do Hasp?

Pessôa - Durante a carreira o militar é preparado diversas vezes para ocupar cargos administrativos. Uma das primeiras atividades ao se entrar na Aeronáutica é realizar um curso de adaptação à corporação no qual são passados procedimentos básicos de administração. Depois, ao chegar ao posto de capitão, é necessário cursar a Escola de Aperfeiçoamento da Aeronáutica. Esse curso prepara para ocupar cargos de administração. Em níveis de major e tenente-coronel, e quando o militar também é médico, faz-se o curso Estado Maior e Superior de Comando. Eu passei por todas essas etapas e também sou MBA em Gestão de Saúde pela Fundação Getúlio Vargas.

NH - Como é dividida a área administrativa do hospital?

Pessôa - Há o diretor e os chefes de divisão na área médica, odontológica, paramédica e administrativa.

NH - Qual a estrutura atual do hospital?

Pessôa - Há uma estrutura para atender a diversas especialidades médicas. Temos serviço ambulatorial, odontológico, laboratório de análises clínicas, pronto-socorro, centro-cirúrgico, unidades de internação, sala de parto e berçário, centro de endoscopia, farmácia, laboratório de anatomia patológica, fisioterapia e unidade de terapia intensiva (UTI). Somos capazes de atender a quase todos os casos, sem necessidade de transferir o paciente para outras instituições. Em 2003, apenas 83 casos foram transferidos para outros hospitais por não termos suporte para atendê-los, num universo de 121.719 atendimentos ambulatoriais e 6.625 internações.

NH - O Hasp é direcionado a militares da Aeronáutica de que região?

Pessôa - A instituição oferece assistência médico-hospitalar em nível terciário para toda a comunidade da Aeronáutica na área do Quarto Comando Aéreo Regional, que inclui os estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul. Nosso público-alvo são os militares que residem nessa jurisdição.

NH - Qual é a origem dos recursos financeiros?


Pessôa - Uma parte vem diretamente do planejamento orçamentário do comando da Aeronáutica. A outra parte é destinada pela Diretoria de Saúde da Aeronáutica, por meio da Sub-diretoria de Aplicação dos Recursos da Assistência Médico-Hospitalar da Aeronáutica.

NH - Há quantos hospitais da Aeronáutica no Brasil?

Pessôa - São três hospitais de Força Aérea, seis hospitais de área, que inclui o nosso, e diversas unidades de segundo e primeiro escalões, como hospitais e bases de saúde de menor complexidade, espalhadas pelo país.

NH - Qual é a razão de os médicos serem quase todos militares?

Pessôa - É fundamental. A principal razão é que o "médico-militar" já possui as prer-rogativas militares, entende como funciona a corporação. Em caso de emergência, por exemplo, ele está sempre à disposição para viajar a outras localidades, o que seria mais difícil no caso de um médico civil. Além disso, manter um médico civil aumentaria os custos.

 

[topo]