OUTUBRO
DE 2004
NÚMERO 45
ANO 4
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Raul Marcos Fouyer

Administrador de empresas e consultor em consultor em tecnologia da informação na área da saúde

Investimento em TI: por onde começar

 

No artigo "Quanto Investir em T.I." (edição nº 44) discorri sobre a necessidade de se possuir um orçamento para a área de Tecnologia da Informação como condição básica para se administrar de forma eficiente os recursos financeiros destinados às atividades de T.I. dentro das instituições de saúde.

Mas isso é apenas o começo. Na seqüência, o administrador de T.I. precisa estar em perfeita sintonia com as estratégias e com os planos de desenvolvimento de sua instituição, o que nem sempre é possível, por um motivo muito simples: a grande maioria das instituições não possuem planejamento estratégico e seus dirigentes administram mais pela intuição do que pelas modernas práticas de gestão hospitalar. Além da inexistência de planejamento estratégico, também não possuem recursos orçamentários destinados à área de T.I. Aliás, me-nos de 10% dos hospitais possuem níveis elevados de informatização e, pasmem, mais de 60% deles não possuem praticamente nenhum tipo de informatização.

Nesse emaranhado de dúvidas, de falta de planejamento e de recursos orçamentários, o gestor de T.I. pode perguntar-se: por onde começar? Bem, a pergunta não possui uma única resposta. Mas a providência para elaborar um plano orçamentário para T.I. talvez seja a prioridade número um. Isso porque, tratando-se de valores, desperta nos gestores o senso de prioridade para investir e, conseqüentemente, ressalta a importância de T.I. na estrutura de atendimento e serviços que a instituição proporciona a sua clientela. Aqui talvez tenhamos parte da resposta: desperta o senso de prioridades na alta direção.

E o próximo passo? Bem, depende. Se você, gestor de T.I., conseguiu aprovar um orçamento, mesmo que mínimo, ótimo. Se não conseguiu, recomendo que observe atentamente as críticas, comentários e expectativas de seu público-alvo, dentre eles, seus clientes, médicos, corpo de enfermagem e parceiros de negócios. Eles darão as "respostas" para suas perguntas. Na seqüência, e com base nestas "respostas" o gestor de T.I. deve identificar os processos a serem informatizados. A probabilidade de se implantar um sistema bem-sucedido sem conhecer os processos de negócios é de praticamente zero.

Os processos, quando devidamente estruturados, são a alma do negócio das instituições hospitalares. São como a patente de um produto ou serviço sem similar e que agregam valor ao atendimento prestado à sua clientela. Investir no mapeamento e informatização de processos realmente dá retorno, possibilita um atendimento de melhor qualidade além de proporcionar um efetivo controle de custos.

Deve-se também dar atenção especial à estrutura organizacional que irá dar sustentação aos processos e ao fluxo de trabalho deles decorrentes. Como aqui também não existe uma resposta única, a regra geral é identificar os macroprocessos que dão uma visão ampla das necessidades de informatização. Na seqüência, sugiro o detalhamento dos processos mais críticos, que geralmente são os de atendimento aos clientes, prontuário eletrônico e integração com a comunidade que interage com o hospital como médicos, prestadores de serviços terceirizados e convênios, dentre outros.

Por último, deve-se escolher no mercado a solução de equipamentos, de rede e do sistema de gestão integrada que tenha a maior aderência aos processos detalhados na fase anterior, Não se recomenda o desenvolvimento interno de programas de computador uma vez que existem no mercado excelentes sistemas de gestão integrada, além do risco de perda de foco no negócio.

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