AGOSTO/SETEMBRO
DE 2003
NÚMERO 42
ANO 4
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QUALIDADE
 
Cláudio M. Santos

Consultor de qualidade da empresa Gestão Contábil e coordenador estadual do programa de qualidade da Fundação Hemominas

A excelência das lideranças

Apesar de todos os avanços, formar líderes eficazes conti-nua sendo um desafio. Aliás, uma pergunta ainda persiste: líderes eficazes são formados ou eles pró-prios se formam no contexto prático das experiências organizacionais?

Como o processo de liderança envolve pessoas (líder e liderados), ambientes e contextos, torna-se fácil deduzir que estamos diante de um tema complexo, de múltiplas faces, inacessível às abordagens e formulações simplistas. Não há fórmulas acabadas capazes de delinear, a prio-ri, caminhos seguros para a conquista do ambiente, a mobilização das pessoas e o alcance dos resultados. Há, sim, importantes diretrizes apresentadas pela pesquisa acadêmica, experiências organizacionais de reconhecido êxito e biografias de líderes bem-sucedidos.

Nem por isso estamos dispensados do exercício contínuo da reflexão, do olhar crítico diante da realidade local e da prática criativa no enfrentamento dos desafios. Nenhum método, nenhum conceito, nenhum modelo deve excluir nosso maior atributo, o dever de pensar.

No universo das incertezas, uma certeza parece evidente: por trás, ou melhor, à frente de qualquer projeto de mudanças bem-sucedido, especialmente daqueles voltados para a gestão da excelência, há sempre a presença ativa de líderes. Embora possa hoje parecer óbvio, é importante destacar que o compromisso e a ação das lideranças não podem ser transferidos para outros atores envolvidos, especialmente àqueles não ligados ao contexto organizacional, como consultores, instrutores e facilitadores em geral. Os agentes externos têm o seu papel e a sua importância na modelagem do projeto de mudanças, na capacitação dos grupos, no desenvolvimento e no aporte metodológico-científico. Contudo, nunca serão os líderes da mudança.

Dos atributos necessários aos líderes na condução de programas de melhoria organizacional, pode-mos destacar:

  • Ser capaz de identificar os motivos, as expectativas e os interesses dos seus liderados e de si mesmo, diante do projeto e da própria organização.
  • Compreender a necessidade, os objetivos, os significados, os impactos e conseqüências do projeto de mudanças para as pessoas individualmente consideradas e para a organização.
  • Ser capaz de estimular essas forças motivacionais latentes nos liderados, compatíveis com os objetivos coletivos do projeto
  • Ser exemplo vivo do discurso e da prática.
  • Estar dispostos à auto-avaliação contínua, das suas práticas e dos rumos que o projeto tem tomado, estando aberto e disposto às alte-rações e correções.
  • Criar com tudo isso um ambiente propício a mudanças.

São ações factíveis apenas para homens e mulheres extraordinários? Não necessariamente. São, todavia, atributos essenciais e intransferíveis para todos aqueles que assumem a posição de líderes.

Embora os programas de desenvolvimento gerencial e formação de lideranças sejam de indiscutível importância, não podemos deixar de destacar o fato de que o melhor espaço para aprender e desenvolver as habilidades relacionadas aos atributos descritos ainda continua sendo a própria organização. É na convivência cotidiana com os liderados, na compreensão dos diferentes tipos humanos, na ausculta contínua dos interesses, motivações e projetos individuais, no enfrentamento tenso dos conflitos, enfim, no inter-relacionamento diário que os líderes vão aprimorando sua sensibilidade para compreender, lidar e interagir com todas as gentes, conquistando pouco-a-pouco o respeito da equipe e o seu aval para atuar como líder do grupo. Afinal, onde há um líder eficaz há sempre um grupo de pessoas que aceita, respeita e autoriza aquela li-derança.

Não estando o líder disposto a caminhar por essa trilha, restalhe a decadente e ineficaz opção tradicional da chefia controladora, que utiliza os recursos do poder, da hie-rarquia, do controle, das normas e do medo, para dominar seus subordinados. Antes de mudar os seus liderados mude a si mesmo, em-preendendo um mergulho corajoso em si próprio para decifrar seus potencias e limitações, especialmente os motivos que o levaram à função de líder em busca da excelência.

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